1908 – 1940

Tire seu chapéu e coloque sua gravata: a sessão vai começar

A Revista do Globo trazia em suas edições uma variedade de informações, sendo a maioria destinada ao público feminino. As capas estampavam atrizes e modelos referências de beleza à época e seu interior era recheado de conteúdos sobre a saúde da mulher, tendências de moda, cinema e variedades, propagandas de produtos de beleza, acontecimentos mundiais e nacionais, sempre evidenciando eventos sociais em Porto Alegre. Também havia uma coluna destinada para o cinema de Porto Alegre, a Cine Globo, na qual eram veiculados os horários das sessões, biografias de astros do cinema, acontecimentos da vida pessoal dos artistas e comentários sobre os filmes. As referências de beleza e comportamento que a revista abordava eram extremamente estereotipadas e tinham como seu público alvo as mulheres de classes mais abastadas. A Revista do Globo é um importante documento impresso, que retrata uma série de aspectos sociais e culturais de um determinado período histórico. Por esse motivo, ela integra o acervo da nossa exposição, contribuindo na compreensão e na problematização da sociedade da época e da história dos cinemas de Porto Alegre.

Matéria sobre cinema na Revista do Globo (1940)

Acervo: DELFOS/PUCRS

Entrevista com a atriz Hedy Lamarr na Revista do Globo (1940)

Acervo: DELFOS/PUCRS

Hollywood e os lançamentos dos filmes nos cinemas de Porto Alegre (1940)

Acervo: DELFOS/PUCRS

GRETA GARBO

Uma das estrelas de cinema mais comentadas pelos porto-alegrenses era a sueca Greta Garbo (1905 – 1990), que teve seu auge da carreira por volta dos anos 30. A atriz era manchete em variados veículos da cidade, e em diversas colunas que iam do cinema à moda, e era comum circularem boatos sobre sua vida pessoal. Entretanto, a mídia gostava de descrever ela como “ misteriosa” , e rasgar elogios pelas suas performances em filmes como “Mata – Hari” , de 1931, que foi exibido no cine Imperial.

Playlist da sala

 

1940- 1970

Memórias Subterrâneas

A Praça da Alfândega, antiga cinelândia de Porto Alegre, era o lugar onde se concentravam os principais cinemas. Este espaço sempre teve uma dinâmica de diferentes sujeitos, saberes e fazeres, com muita história para contar, no passado e no presente.
Na exposição trazemos a imagem e história de Rodrigo, o Poeta Marginal, nos anos 1940. Na imagem abaixo, que compreende o periodo entre 1950 e 1969, podemos observar em primeiro plano um menino negro engraxando sabatos. A profissão de engraxate é considerada Patrimônio Imaterial de Porto Alegre. Em segundo plano, crianças brincando na pracinha, pessoas conversando, ou “lagarteando”, gíria gaúcha que significa tomar um sol para se aquecer ou simplesmente relaxar

Praça da Alfandega entre 1950 e 1969

Acervo: Museu de Porto Alegre – Joaquim Felizardo

Ruth de Souza e Grande Otelo

Acervo: cinemaemovimento.com

Filme Também Somos Irmãos (1949), com Grande Otelo e Ruth de Souza. A atuação de Grande Otelo nesse filme é espetacular. Rouba a cena em todas as aparições, e nem é preciso ser um expert em cinema para perceber isso. Recomenda-se assistir a esse filme a todos que associam suas atuações somente a papéis cômicos.

Vento Norte (1951)

Acervo: Procempa

Primeiro filme gaúcho de longa-metragem, com direção de Salomão Scliar. Realizado na cidade litorânea de Torres, no Rio Grande do Sul, contou com a participação de pescadores locais. Estreou no cinema Imperial,com três sessões diárias.

Playlist da sala

 

1970 – 1990

o cinema de rua sai de cena

O Diário do Sul foi um jornal porto-alegrense criado em 1986 e encerrou suas atividades em setembro de 1988. Tinha como slogan “O Diário do Sul tem cultura da capa” revelando a valorização dos assuntos do campo artístico e cultural, tendo o cinema espaço privilegiado na editoria de cultura. “O periódico acompanhou a popularização do videocassete e as mudanças na recepção da obra cinematográfica (GOLIN, GRUSZYNSKI, 2010, p.9) e em maio 1987, criou o caderno semanal denominado “Espectador Cinema e Vídeo”. Neste caderno, em julho de 1988 foi publicada uma matéria sobre a pornochanchada. Abordava a popularidade deste gênero de filme e como, por um tempo, lotou várias salas de cinema e depois as locadoras e tinha como título “No meio da falência do cinema novo, a pornochanchada”.

Diário do sul, caderno especial (1988)

Acervo: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

Diário do sul, caderno especial (1988)

Acervo: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa
Acervo: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

 

leia a matéria completa clicando aqui.

 

a invasão do vídeocassete

A reportagem da Revista Veja é de 1981 e aborda o período que o videocassete começava a ficar popular e como, naquele momento, ele era um produto caro e inacessível para a maioria das famílias brasileiras. Retrata a mudança de comportamento no que se refere ao hábito de ir ao cinema e como os fabricantes já tinham a previsão do sucesso dessa nova tecnologia, inovando e apostando que seria “algo muito parecido com a febre da televisão na metade dos anos 50. Hoje, o brasileiro ainda não conhece o equipamento e seus usos, mas ele não poderá continuar vivendo sem essa realidade”. Vale a pena a leitura!

Revista Veja (1981)

Acervo: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

 

Acervo: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

 

Acervo: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

 

Acervo: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

 

Acervo: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

Playlist da sala

 

1990 – até hoje

novos filmes, velhos hábitos

Vanessa Aquino
Porto Alegre

Amo cinema desde sempre! Guardo com muito carinho minha primeira experiência de ir ao cinema. Eu tinha 6 anos e minha mãe me levou, junto com duas amiguinhas, para assistirmos o filme Rei Leão, foi o auge, inesquecível. Fomos ao Cine 7 de Setembro, um cinema de rua localizado na cidade do Rio Grande, que, infelizmente, já não existe mais. Lembro de comprar a pipoca, sentar nas poltronas, dos cochichos e risadas, antes e durante o filme, a experiência de curtir o escurinho do cinema, a tela enorme, o som alto, o burburinho, os cheiros… para sempre em minhas memórias. Meu maior desejo, pós-pandemia, é levar minha filha para ter essa experiência, ainda não vivenciada por ela. Tenho certeza que também será inesquecível.

Marta Busnello
Porto Alegre

Saudade de ir ao cinema! Criança, na minha cidade natal, me encantei com a tela grande assistindo um filme de Teixeirinha. Adolescente, na cidade de Canoas, os Trapalhões eram a sensação nas matinês. Em uma delas, o riso não era pelo cômico enredo projetado na tela e, sim, pela emoção da primeira vez que um menino que eu gostava ter pegado na minha mão quando as luzes apagaram! Adulta, sozinha, com namorado de ocasião, com amigos e no tempo presente, com marido, os cinemas de Porto Alegre passaram a fazer parte da minha vida cultural semanal. Assisti grandes clássicos, de todos os gêneros. Chorei, ri, detestei, mas sempre me emocionei no escurinho do cinema.

Bruna Martin
Viamão

Faz um pouquinho mais de um ano que não frequento uma sala de cinema, lembro que o último filme que fui assistir com o meu namorado foi “Aves de Rapina”, fiquei tão encantada com o filme que fiz questão de comprar, minutos após sair da sala de projeção, um top rosa shock igual o da protagonista. Enfim, ta aí um relato com o mais puro sistema das relações dos cinemas e a sociedade – influenciar. Sinto muita falta de ir em pré-estreias a meia-noite, juntar os amigos e ir nas lojas de guloseimas no shopping antes de entrar na sala, comentar os filmes na praça de alimentação, e correr para as redes sociais acompanhar as opiniões de outras pessoas sobre o filme que acabei de assistir. Quando faço aquele exercício de pensar em “Quais lugares vou frequentar pós-pandemia?” Ir ao cinema está sempre presente dentro do meu top 5.

Ana Rodrigues
Porto Alegre

Adoro cinema! Minha relação com o cinema iniciou na adolescência quando ia com os amigos da minha rua ao Cine Theatro Independência, em São Leopoldo, cidade onde eu morava. Nessa época assistimos os filmes dos Trapalhões, da Xuxa … Faz tempo! Hoje morando em Porto Alegre gosto de assistir filmes nos cinemas da Casa Mário Quintana e no Cinebancários, locais que amo estar e que sinto muita saudade. A magia do cinema, para mim, começa antes de chegar na fila da bilheteria. Inicia no momento da escolha do filme e na leitura da sinopse. Já sentada na poltrona, quando a luz se apaga, tenho sempre a expectativa de que vou assistir a um bom filme.

Cleide Menezes
Porto Alegre

Sempre gostei de ir ao cinema. Isso envolve a preparação. Combinar com amigos, escolher o filme . Depois os comentários em um bar ou em um café. Algo que gosto muito de lembrar é quando íamos, ainda adolescentes, no Cine Rey. Era muito fácil de ir pois ficava perto de casa. Esperávamos ansiosos o momento de começar. Quando as luzes se apagavam, como que fosse combinado, todos batiam os pés no chão repetidamente. O barulho era ensurdecedor, pois o chão era de madeira. O tempo do barulho também parecia combinado, pois, ao mesmo tempo, todos paravam. Então tudo se aquietava e começava o filme. Em 1980 o cine Rey fechou, mas aquelas lembranças permanecem vivas na minha memória.

Ronaldo Milanez
Porto Alegre

O cinema não mudou, novos formatos apareceram assim como a maneira como assistimos aos filmes, porém, nada, absolutamente nada, substitui o prazer de ir ao cinema. Momento mágico em que nos desligamos de tudo! Era criança, lembro-me da ansiedade no primeiro filme que assisti, os Trapalhões! Depois virou nosso programa, a turma do bairro se reunia, nos deslocávamos até o Centro de Porto Alegre, no Cine Imperial. Antes das sessões íamos pela Rua da Praia para assistir ao homem do gato, um artista de rua que comercializava o “apito do gato” era uma festa antes da sessão, o lanterninha enlouquecia com a “gurizada medonha.” Essa atmosfera que o cinema proporciona é única!

 

Playlist da sala

 

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