Cinelândia para quem?

A partir do final do século XIX, a economia do Rio Grande do Sul se expande e novos grupos sociais começam a ocupar a paisagem Porto-Alegrense. A cidade passa por intensa remodelação, ganha características europeias, voltada à burguesia, não dava espaço para quem não se adequasse a ele.

Calçada com pedras pequenas (estilo portuguesa)  formando um mosaico em formas de ondas  da esquerda para a direita  na cor preta. Esta calçada  é na Praça da Alfândega, antiga Cinelândia de Porto Alegre.  [Fim da descrição]

Da Taba ao Arranha-Céu
(Revista do Globo, Edição 285, 1945)

Fotografia em preto e brancos prédios com diferentes andares no centro de Porto Alegre entre os anos 1940 e 1950. Na esquerda está o maior prédio, ao lado dois prédios menores e no segundo plano ao fundo  outro prédio menor.  [Fim da descrição]
Acervo: Delfos/PUCRS

Na década de 1940, essas transformações estavam consolidadas, com os “indesejáveis” sendo excluídos às margens da cidade.

Rodrigo Alves de Lima é um personagem apresentado pela Revista do Globo em 1945, que se deslocava da periferia ao centro da cidade para vender seus poemas.

Rodrigo Alves de Lima
(Revista do Globo, Edição 285, 1945)

Fotografia em preto e branco no centro da cidade de Porto Alegre em  1945, um homem  aparentando meia idade, magro, rosto com rugas bem marcadas, com barba branca comprida e cabelo branco curto. Com um cigarro na boca e em uma das mãos enrugada acende o cigarro. [Fim da descrição]
Acervo: Delfos/PUCRS
Segundo a reportagem, a comunidade de Rodrigo era um ambiente formado por “malocas mulambentas, feitas de latas e madeiras juntadas ao acaso”, e que ali, no grande Centro, ele poderia ter uma visão das ruas, do luxo, das escadarias das repartições, dos cinemas e dos templos religiosos.

Enlevo do sonho e pesadelo da morte
(Revista do Globo, Edição 285, 1945)

Duas fotografias  uma do lado a outra,  em preto e branco  no centro da cidade de Porto Alegre em 1945, Na fotografia da esquerda, o homem que aparenta meia idade, magro com chapéu na cabeça, barba comprida e branca, cabelo curto e branco, vestindo um casaco de manga comprida surrado e uma calça comprida surrada, carregando embaixo do braço  um saco, na mão direita uma bengala está em frente a uma vitrine olhando um cartaz com a frase feliz natal. Na fotografia da direita o mesmo homem com as mesmas descrições  está em frente a uma loja olhando um caixão de funerária. [Fim da descrição]
Acervo: Delfos/PUCRS
A burguesia, a fim de reafirmar a sua superioridade, inclui o miserável, como o Poeta era chamado, ao passo que lhe torce o nariz.

“Quis fazer uma casa.
Não tenho esperança de fazer mais.
E’ bastante certo que nunca possa
Por causa das leis municipais…”

Poema de Rodrigo Alves de Lima (Revista do Globo,1945)

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